Escritura: Fp 2, 1-11
A força do homem está no amor. Muitas pessoas imaginam que são fortes quando se sentem acima dos outros, independentes, trilhando um caminho de sucesso e auto-afirmação. Há realmente uma verdadeira “escola da vida” que nos impulsionas a sermos auto-suficientes, a brigarmos por nossos interesses e firmarmos o nosso lugar ao sol, berrando a todos que possam ouvir que ninguém vai nos subjugar, que somos capazes e destemidos. Há cristãos que acreditam que “quem pode mais, chora menos”, e traduzem esta frase numa filosofia de vida que importam do mundo pagão para sua “vida” cristã; Estas pessoas realmente não sabem o que o Apóstolo quer dizer quando fala em ser animado pelo Espírito de Deus em bondade e misericórdia.
Deus só pode educar na humildade aqueles que entrarem na escola da vida comunitária. Sim, porque a vida em comunidade é uma verdadeira escola de humildade. Vida em comunidade, escola de humildade
A Palavra de Deus nos orienta quanto a este aprendizado na vida em comunidade. Vamos observar o que diz S. Paulo nos versos 2 à 4.
Três palavras se destacam: harmonia, amor e unidade, sendo que esta ultima fala em união de alma e mente, ou seja uma unidade profunda no querer e no executar, nos sentimentos e afetos. Na verdade a harmonia e amor são evidenciadas nesta unidade consistente e prática. Aqui convém perguntar: Porque eu estou no Agnus Dei¹? (adaptado) A resposta estará concorde à nossa disposição para a unidade de alma e mente. Você pode medi-la comparando-a à sentença seguinte do apóstolo que se refere ao interesse pessoal e ao interesse comum.
Pode-se estar na comunidade (célula + assembléia + ministério) por interesses próprios e a isto acompanha outra pergunta: O QUE O MINISTÉRIO PODE FAZER POR MIM? Mas pode-se estar por interesse comum, ou seja: O QUE EU POSSO FAZER PELO MINISTERIO? É a verdadeira relação com estas questões que vai dizer qual meu nível de humildade, se estou disposto a dar ou receber. É esta humildade que mostrará se estou unido com a mente e a alma da Comunidade, ou só cumpro deveres que me parecem inclusive enfadonhos e que ficam cada vez mais pesados e exigentes me fazendo procurar outra comunidade que me de algo mais e me exija algo menos.
Sou assim um instrumento harmonioso na sinfonia de amor da Comunidade?
A grandeza de ser pequeno Bem esta harmonia da unidade intensa de alma nasce da grandeza de ser pequeno. E aqui, entre os versos 5 e 7, o apóstolo nos constrange com o amor de Cristo que nos faz ficar chocados entre nosso caráter e o dEle. A Palavra nos convida a pensar como Cristo, eis aqui a unidade de mente e alma. Cristo pensou em rebaixar-se para dar lugar aos outros. Abriu mão, fez-se servo do amor.
O plano do Senhor Jesus ao iniciar uma comunidade com os 12 era de que eles vivessem estes valores e os reproduzisse. Lutou arduamente por isto porque eles não haviam sido educados para serem humildes, sonhavam com o Reino de Israel e com tronos e poderes. Eles também se perguntavam o quanto ganhariam em seguí-Lo.
As células cristãs são pequenos grupos de comunhão fraterna evidenciada na vida cotidiana. Há até mesmo um chamado a se viver isto de forma extrema deixando sua casa para viver numa casa comum com uma célula da comunidade. Esta é uma doutrina que só entendemos se formos abaixados, se olharmos para a célula como um espaço de amor cristão e não mais um tipo de grupinho religioso de suprimento de interesses pessoais; Deus quer que sejamos capazes de morrer uns pelos outros. Era assim com as primeiras células da Igreja primitiva pra quem Paulo escreveu originalmente este texto de Filipenses. Quem não morrer ficará só
A célula deve ser o terreno fértil da morte de seus membros, dos discípulos Daquele que morreu para dar exemplo e disse que ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seu amigo (cf. Jo 15, 13). Isto faz profunda consonância com o final do texto entre os versículos 8 e 11.
Mas esta morte segundo o Senhor Jesus, deve ser voluntária como a de um grão caído na terra; A semente abre-se sozinha de sua casca e germina. Ninguém pode forçar este processo com a mão, senão ela perde a fecundidade; por isto o Senhor disse que ninguém tirava sua vida, mas Ele a dava por Si mesmo (cf. Jo 10, 17-18).
Se isto ocorrer, cada célula vai promover a exaltação do Nome de Jesus e para isto os nomes dos discípulos vão desaparecer como grão de trigo que somem em forma de farinha amassada formando hóstias vivas, um pão sem fermento para alimentar o mundo carente de amor; Às vezes pensamos na comunidade como o lugar de nosso sucesso pessoal. Estamos longe da verdadeira visão celular. Multiplicação como vanglória contra concorrência religiosa é obra do Adversário.
A humildade do servo
Precisamos nos perguntar se queremos ser rebaixados uns pelos outros para servirmos melhor ao Senhor que virá buscar este pão no fim dos tempos. Eis aí a humildade cristã. Você está disposto a humilhar-se debaixo da mão de Deus para que Ele te exalte? (cf. I Pd 5, 4-6).
Adaptações: João Henrique-Coord.Ministerio de Células

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